História de Maria Paula Vieira

“Quando eu tinha 3 anos senti um forte incômodo nos pés, era como se estivesse parada sobre brasas e alguém começasse a espetar coisas nos meus pés. Era uma doença dermatológica genética rara, que causa descamação nas mãos e pés começando a se manifestar. Foi justamente depois do aparecimento da doença que comecei a sentir fortes dores.

Desde então, fui conseguindo me movimentar cada vez menos. A dor era tão forte que não conseguia sair da cama e a descamação da pele repuxava meus dedos, causando uma atrofia no pé bem grave e uma leve nas mãos. Até minha adolescência andei com muita dificuldade, muito auxílio e apoio.

Mas chegou um momento que quanto mais eu me esforçava, mas dor eu sentia, mais eu dependia das pessoas, mais eu ficava sentada no canto de uma festa, mais eu não brincava com os amigos. Então, eu parei de relutar e acabei indo para a cadeira de rodas. A adaptação foi difícil, mas depois eu vi como ela me deu mais liberdade e me deixou voar mais longe!

A cadeira me fez cursar comunicação, que me fez conhecer a fotografia, me dedicar a isso e hoje ser fotógrafa.

No início, fiquei preocupada se conseguiria captar todos os olhares estando na cadeira, de não ser aceita no ramo e não dar certo. Mas não desisti, vi que pelo contrário, meu olhar seria único.

Meus clientes nunca se assustaram ao saber ou me ver chegando na cadeira, –  ou disfarçaram bem e eu não percebi (risos) – sempre fui muito bem aceita. Houve alguns apenas que me disseram que não sabia que isso era possível e são nessas horas que eu me sinto quebrando barreiras com o meu trabalho, sendo uma formiguinha levando mais inclusão na sociedade, mostrando que um deficiente é capaz de tudo mesmo!

Entretanto, se eu fosse listar um problema que enfrento, com certeza seria a questão da acessibilidade. Infelizmente, isso é algo que enfrento muito em algumas ruas ou parques, como a maioria dos deficientes… Mas tenho sempre um assistente pronto para me auxiliar nessas horas e também quando quero pegar um ângulo mais alto. Então, para tudo na vida a gente dá um jeito!

Hoje, com 23 anos, trabalho com fotografia de família e sensual. Minha paixão é fotografar pessoas, conhecer suas histórias e elas a minha. Por isso digo, fotografia se tornou para mim uma paixão, mas também uma forma de me mostrar para o mundo.”

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7 comentários em “História de Maria Paula Vieira

    1. Conheci Maria muito pequena com seus quatro anos tive conhecimento do problema da descamação de seus pés, depois nos afastamos por conta de mudança de endereço a pouco tempo tive notícias dela e fiquei curiosa e cheia de alegria em poder revê lá aquela menininha parecendo com um anjo de tão linda que era, e hoje uma fotógrafa linda maravilhosa, parabéns a vc que não mede esforço para vencer na vida. Ainda quero lhe dar um grande abraço pessoalmente.

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  1. Linda Maria Paula, meu exemplo de determinação e de caderno mais bonito do primeiro ano médio…
    Saudade de você, do seu bom senso, de sua inteligência e de seu carisma.
    Estou feliz por ter notícias suas e de saber de seu sucesso. Fique sempre com Deus e que ele lhe dê essa garra que nunca a deixou desistir.
    Para sempre em meu coração…

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